Co-responsabilidade familiar

Pe. Nicolas Schwizer

 
   

Um dos problemas que vejo no caminho para a santidade é o que poderíamos chamar uma falta de co-responsabilidade pelo outro. Muitos aspectos de nossa vida nos custam muito, seja na vida espiritual (p.ex. a oração serena e profunda, a fidelidade nos propósitos), ou seja, na vida natural (por exemplo, nos dominar na comida ou bebida, com o cigarro, fazer caminhadas).

Percebemos que superam nossas forças, que sozinhos não podemos conquistá-los. Tentamos muitas vezes e não conseguimos. E então, o que podemos fazer? Temos que nos ajudar entre todos, nos aconselhar, chamar mutuamente a atenção. Porque cada um é co-responsável pela santidade de sua família.

O problema do tempo. Trata-se da falta permanente de tempo. Acontece que o tempo passa sem se deter. Podemos perdê-lo, mas não ganhá-lo. Só podemos aproveitá-lo melhor. Dominar o tempo é, na realidade, dominar a si mesmo, não se deixar derrubar nem arrastar por si mesmo e pelos demais. É saber tomar distância, meditar serenamente sobre a maneira como empregamos nosso tempo. Trata-se da arte de viver plenamente o momento presente.

A muitos é difícil a distribuição adequada de seu tempo, o equilíbrio racional entre as distintas atividades da vida: família, trabalho, descanso, vida espiritual e apostólica. Todos nós conhecemos o poder de escravizar do trabalho. É como uma droga que intoxica e depois exige que se aumente a dose. O trabalho excessivo pode atrofiar o crescimento, murchar a alegria, afogar a vida. Também as atividades sociais ou apostólicas podem se tornar obstáculos para a santidade. Principalmente, se não aprendemos a dizer não; e sempre é melhor um não amável a um sim não cumprido.

Creio que para muitos falta também mais ordem e disciplina em sua vida diária; falta-lhes definir claramente suas prioridades pessoais, sua escala de valores.

Um ponto fundamental é o descanso. Há um cansaço normal, ao fim do dia ou do ano. Mas também há uma fadiga que arrasta toda a pessoa, um esgotamento nervoso que tem a ver com a falta de descanso, de ócio, de exercícios. Muitos se sentem estressados, porque querem fazer muitas coisas em pouco tempo e sofrem, por isso, tensões, irritações e raivas. E isso lhes impede de gozar a vida. É recomendável controlar nossas horas de sono ou descanso. E para nos ajudar, devemos fixar uma hora para ir dormir; e se a superamos tratar de recuperar o tempo de descanso perdido.

Muitos nos descuidamos seriamente nosso corpo ao não praticar nenhum esporte, nenhum exercício físico. Alguns nem sequer seguem a clara prescrição médica de fazer caminhadas diárias. Nosso corpo, “o irmão burro”, não só é teimoso e comilão, mas também preguiçoso.

Outra forma de atentar contra a saúde mental é não respeitar um tempo de descanso pessoal. Todos nós temos que aprender a reservar um tempo diário para nós mesmos, sem sentimentos de culpa. Pode ser para ler, escutar música, caminhar, fazer uma visita - enfim, fazer algo que goste que me distraia.

Penso que em tudo isto temos que nos sentir responsáveis pela vida de cada integrante da família, nos acompanhar e ajudar um ao outro. Assim todos juntos poderemos mudar com mais facilidade nossos maus hábitos e superar os obstáculos em nossa rota de vida. É uma ajuda valiosa e necessária para que possamos seguir caminhando e conquistar a plena maturidade natural e sobrenatural. É nossa maneira de nos apoiar e estimular mutuamente em nosso grande desejo e desafio de chegar a ser, algum dia, todos juntos uma família santa.

Perguntas para a reflexão

1. De que maneira nos ajudamos a crescer?
2. Respeitamos as horas de sono, os fins de semana livres?
3. Tenho momentos de descando (de ócio)?

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