Há um grande jubileu que a Divina Providência nos presenteia, em 2012, que tem uma profunda relação com Schoenstatt e ainda permanece na obscuridade: os dois mil anos da peregrinação da Sagrada Família ao santuário, com a perda e o encontro do Menino Jesus no templo. Lucas nos conta: “Todos os anos, os pais de Jesus iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando completou doze anos, eles foram para a festa, como de costume. Terminados os dias da festa, enquanto eles voltavam, Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais percebessem... Começaram então a procurá-lo entre os parentes e conhecidos... Depois de três dias, o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas... sua mãe lhe disse: ‘Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura!’ Ele respondeu: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu pai?’... Sua mãe guardava todas estas coisas no coração.” (2, 41-52) Portanto, faz dois mil anos de uma importante peregrinação anual da Sagrada Família ao Santuário, ao templo de Jerusalém. Há muito para meditar, muito que se pode aprender disso e aumentar ainda mais nossas motivações para o grande jubileu de 2014. Caminham quatro dias para ir ao santuário Eles não precisam disso, pois o mais sagrado do santuário, Deus vivo, faz desse lar O Santuário. Impressiona que Jesus, o Filho na Trindade Santa, obedece a pedagogia de seu Pai e se faz peregrino, indo anualmente ao santuário, à casa de seu Pai. Pe. Ariel Álvarez Valdés, biblista, argentino, diz que a distância entre Jerusalém e Nazaré é de 140 Km. Jesus, Maria e José, anualmente, fazem esse trajeto a pé e caminham cerca de 30 Km por dia. Portanto, caminham mais de quatro dias, somente para rezar no santuário. Quão grande importância a santa família, que é um santuário vivo, dá ao lugar de graças que Deus Pai estabelece! Eles vinculam o amor ao Pai, a santificação pessoal e a realização da missão que receberam com a presença no santuário. Aquilo que é de meu Pai É assim que Jesus explica o templo de Jerusalém, o santuário. Aqui é a casa de meu Pai. Ele poderia também ter dito: “Aqui é bom estar!” (MC 9,5) Mais tarde, ele manifesta mais uma vez o seu grande zelo e amor ao Santuário, como casa do Pai, quando expulsa desse lugar sagrado os que o profanam (Jo 2,16). Que exemplo para nós, schoenstattianos! Como devemos valorizar o Santuário que Deus nos concede como lar e missão! O Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes nos convida a peregrinar ao santuário: “O santuário deve tornar-se por excelência ‘a tenda do encontro’... tabernáculo da aliança.” Pois ele “está na origem do povo da aliança e da fé de cada um dos crentes.” (Doc. O santuário, Memória, Presença e Profecia do Deus vivo, 1) Será que eu também tenho um vínculo forte com o Santuário? Vou em peregrinação ao Santuário, também quando não há dias de encontro e mesmo que tenho o Santuário-lar dentro de minha casa? Isso é um convite para nosso reavivar e aumentar ainda mais o nosso amor ao Santuário, assim como ele ardia no coração de Jesus, Maria e José, assim como ardia no coração de nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, e que ele acendeu no coração dos congregados heróis. Temos motivos para isso, pois, “O santuário testemunha que Deus é maior do que o nosso coração, que nos amou desde sempre e nos deu o seu Filho e o Espírito Santo, porque quer habitar em nós e fazer de nós o Seu templo e, dos nossos membros, o santuário do Espírito Santo.” (O santuário, Memória...,5) Com essas palavras, entendemos ainda melhor porque o santuário ocupa o centro em nossa espiritualidade de Schoenstatt. Ali Deus quer fazer de cada peregrino um vivo santuário. Por isso, nosso Pai afirma que “Schoenstatt depende de pessoas que realmente se esforcem pela santidade e que unam esse esforço pela santidade ao nosso Santuário.” E que “a alma schoenstattiana só nasce com a vinculação ao Santuário”. (Weihnachstagung, 1933) Porque, a exemplo da Sagrada Família, nosso Pai vê o santuário como a morada do Pai, a escola onde a Mãe educa filhos como templos vivos da Santíssima Trindade. Façamos uma séria reflexão e respondamos à Mãe de Deus, comparado com o seu exemplo e com as palavras de nosso Pai: como está o grau de meu amor ao santuário? Já nasceu a alma schoenstattiana em mim? Vou fisicamente ao santuário, mesmo que isso me custe grandes sacrifícios? Como rezamos na oração de peregrinação para 2014: “O que eu vou colocar, hoje, na talha?” Publicado na Revista Nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt, Tabor em Páginas, nº 75 |