Institutos Seculares, consagrados no meio do mundo

 
   

Neste ano de 2011 faz 40 anos da primeiro encontro dos Institutos Seculares (IS) no Brasil, que amadureceu na Conferência Nacional dos Institutos Seculares (CNIS).

Pe. Kentenich fundou, na Obra de Schoenstatt, 6 Institutos Seculares. Embora estivesse consciente do grande valor das Ordens e Congregações Religiosas, ele escolheu uma forma de viver os conselhos evangélicos inteiramente no meio do mundo, para assim melhor santificá-lo. Suas fundações desse estilo de vida consagrada iniciaram em 1926, com as Irmãs de Maria de Schoenstatt, antecipando o surgimento dos Institutos Seculares na Igreja, em 21 anos, pois, estes recebem um lugar oficial somente em 1947.

Mas, o que são os Institutos Seculares? Para quê eles existem? Para responder a essas perguntas, convidamos Helena Paludo, atual presidente da CNIS, há 6 anos, e membro do IS Seara e reside em Curitiba/PR.

- Helena, o que é um Instituto Secular?

HP - É um Instituto de vida plenamente consagrada, não é brincadeira. Leva as pessoas a se comprometerem totalmente com Jesus Cristo, no seu seguimento. De acordo com o aspecto da vida dele, o tempo em que ele viveu em Nazaré e ninguém sabia que ele era o Filho de Deus, mas ele já estava redimindo o mundo. Então, Se a vida de Jesus é um mistério, a vida que ele viveu em Nazaré é um mistério dentro do mistério. Os IS mergulham neste mistério e por isso são, na maior parte, escondidos. Eles não se revelam como consagrados seculares e vivem no meio do mundo como fermento. Como Jesus que viveu a sua vida de filho, carpinteiro, portanto profissional, vizinho, participante da vida de seu povo, com certeza, com todo o envolvimento que isso exige. Um cidadao em sua vida normal.

- Qual a principal diferença entre a vida consagrada secular e a vida consagrada em uma ordem ou congregação?

HP - No aspecto da vida de Jesus há diferença. As congregações e ordem religiosas se vinculam à vida de Jesus, anunciando pela palavras e pelas obras. É uma vida que aparece, como uma luz sobre a montanha. Ninguém pode esconder essa luz. Então, essa é uma vida religiosa, uma vida separada do mundo. Mas, a vida consagrada secular é uma vida misturada com o mundo. É o sinal do fermento e do sal. O sal é misturado no alimento e dá sabor. O fermento é misturado na farinha e ela cresce. Depois, é muito dificil separar o sal e o fermento, porque eles fazem parte da massa.

- Quantos IS existem no Brasil?

HP - No Brasil são 80 IS. Apesar de não temos dados exatos, são entre 3 a 4 mil pessoas consagrados nesses IS. E queremos que elas aumentem, porque o reino de Deus precisa. Vendo essas luzes aqui no santuário, (essa entrevista aconteceu após uma romaria noturna ao santuário de Atibaia/SP) eu pensei, que no meio do mundo cada coração consagrado secular é como um sacrário que não brilha, como essas luzes, por causa de uma força física. Mas, cada consagrado secular tem a luz da eucaristia que comunga, da palavra de Deus, porque bebe dela todos os dias. Nós temos que ser sacrários ambulantes.

- Como um consagrado secular consegue se mantem fiel à sua vocação, no meio das correntes contrarias do mundo?

HP - Isso é uma perseverança diária na oração, de manhã, à tarde, em todos os momentos. Eu, pessoalmente, quando sinto que a coisa aperta, eu digo: "Jesus, eu te amo!" Para isso eu não preciso de livros. Isso pode ser feito todos os dias. É a perseverança na oração, na eucaristia e na comunhão com a Igreja. Não existe vida consagrada fora da Igreja. Ou é vida consagrada na Igreja, ou não é vida consagrada. Sentir com Jesus, sentir com a Igreja, rezar com a Igreja. É isso que sustenta uma consagração secular. Mas, é preciso também a participação no seu Instituto, na vida do Instituto, no seu carisma e na sua espiritualidade. Porque esta é a fonte de onde Jesus fez brotar o dom da vida consagrada.

- Fale-nos um pouco sobre a sua vocação.

HP - Eu já tenho 35 anos de votos. Estou no meu IS desde novembro de 1974. Antes, havia feito uma experiência em uma congregação, mas aquilo não era para mim. Mas, quando ouvi falar, pela primeira vez, sobre os IS a minha vida explodiu de alegria, de transformação e pensei: como Jesus vai querer casar e namorar uma rabujenta como eu? Na época, eu tinha uns 17 ou 18 anos. Então, imaginei como eu tinha que me transformar para ser digna de pertencer a Jesus. Sou assistente social aposentada e trabalhei com os municípios, no Escritório Regional do Serviço Público. Toda a minha vida prifissional foi voltada para o cumprimento de exigências legais, para que os municípios tivessem acesso a recursos. No fim, eu sentia muita falta de trabalhar com pessoas, porque eu só trabalhava com instituições. Hoje, eu trabalho com pessoas. Antes, eu tinha dois chefes: o governador e Jesus Cristo. Hoje, só tenho um chefe, pois trabalho com o chefe do meu chefe.

- Para você, o que é o santuário da Mãe e Rainha de Schoenstatt?

HP - Eu sinto a graça de um acolhimento muito grande no Santuário. O fato dele ser pequeneninho, é acolhedor. Hoje, estamos acostumados com grandes espaços, espaços imensos, e eu as vezes sinto como isso desagrega. O fato da gente se recolher ali no santuário, num espaço que aconchega, que acolhe e agrega, é muito importante.

O mundo hoje tem falta de mãe. Por que não dizer, a Igreja tem falta de Mãe? Da presença maternal de Maria. As mulheres consagradas tem que fazer a sua parte na conversão pastoral que Aparecida pede. A Conferência de Aparecida pede uma grande comoção e, geralmente, o coração da mulher se comove mais do que o coração do homem.

Então, precisamos fazer uma revolução do amor, da delicadeza, da gentileza, do acolhimento e da abertura de espaço para todos. Nossa Igreja é muito linda. Mas, ela precisa caminhar muito. Acho que tem uma mensagem feminina que Maria e as mulheres consagradas fazem que ajuda a Igreja continuar e se tornar assim. Um Igreja que é e seja cada vez mais linda!

Agradecemos a Helena e para maiores informaçõe sobre o Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt entre em contato: imvocacional@gmail.com e acesse o nosso blog.